quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ternura!

Fiquei parado por um bom tempo em frente a uma folha em branco, tentando escrever algo, tentando colocar para fora alguma coisa que deva estar presa em mim, algum sentimento que está ali, gritando desesperadamente para sair, para ser visto, escutado, mas acaba sendo em vão. Um dos piores momentos para um escritor é esse, esse bloqueio que sem mais e nem por que resolve aparecer, invadir e querer montar ali um acampamento sem data para ou horário para sair. Levanto e vou andar um pouco na rua, esperando quem sabe que algo aconteça e me faça ter um momento iluminado de pura inspiração. Ou me vem uma ideia muito boa para escrever ou continua o nada me assombrando.
Sigo por uma avenida arborizada que tem por aqui, próximo a minha casa, estava calor e era cedo, por volta das 20:00. Senti aquela brisa leve soprar em mim, era uma sensação boa, me fez lembrar de algumas coisas, de alguns momentos vividos. Parei num quiosque e tomei uma água de coco, fiquei sentado ali, olhando as pessoas correrem, em suas mais variadas formas físicas, me dei conta de quem eu deveria estar fazendo o mesmo, quem sabe não me ajudaria.
Resolvi andar um pouco, meio que acompanhando devagar os passos rápidos daqueles que estavam ali, meio que desesperados para ter um corpo definido, ter um corpo no padrão que a sociedade exige. Vi que havia uma livraria aberta, resolvi entrar e ver se tinha algo que me interessava. Fiquei perambulando por ela, peguei alguns livros para ver se me interessavam. Vi um meio que escondido, como se alguém tivesse colocado ele ali, para voltar depois e resgatá-lo. Era um exemplar de um livro do Vinícius de Moraes, do qual estava esgotado a um bom tempo, chamado O poeta não tem fim. Meus olhos brilharam quando o vi, parecia uma criança quando ganha vários presentes no natal. Li um poema naquele momento, quando escutei alguém do meu lado dizer: - Lindo esse poema, é uma dos meus preferidos.
Olhei para lado e lhe respondi com um sorriso: - Lindo mesmo, sempre fico encantado com os poemas do Vinícius. - Não tem como não ficar. Disse. - Realmente não tem. Lhe respondi. Ficamos conversando mais sobre livros e me convidou para tomarmos algo num bar ali próximo. Ficamos horas conversando, nos olhando, discretamente suas mãos tocavam a minha, acompanhados de um sorriso encantador. Eu sorria meio tímido, mas com um olhar fixo nos seus. Perdemos completamente a noção do tempo, já se passava das 23:30, quando fomos embora.
Trocamos telefones e fomos caminhando juntos, pelo visto morávamos próximos um do outro. A rua já não estava mais movimentada, quando fui pego de surpresa por suas mãos me puxando, segurando-me enquanto seus lábios tocavam os meus. Foi um beijo inesperado, do qual fiquei sem ar, deixando apenas um desejo de querer mais, de continuarmos por mais um tempo assim. Paramos na porta do meu prédio, nos despedimos ali, na espera de nos vermos no outro dia.
Fui dormir com isso na cabeça, me fazendo ficar com aquele sorriso bobo no rosto, como há tempos não ficava.
Nos encontrávamos quase todos os dias, era cada vez mais gostoso esses nossos encontros, aquela reunião com nossos amigos, sempre tinha um papo legal, ríamos muito, bebíamos e conversávamos muito, sempre tinha alguma idiotice que saía de nossas bocas, mas que faziam parte desse momento, sem nos preocuparmos em manter uma linha intelectual, que se torna chato numa reunião dessas. Tem momentos e brechas para todos os tipos de assunto, mas deixávamos o intelecto de lado um pouco e falávamos sandices rsrs.
Passaram-se cerca de 1 ano e meio, eu a essa altura já estava num momento de total inspiração, escrevia quase que compulsivamente em alguns momentos, me dava prazer escrever. Estávamos bem em todos os sentidos tanto na pessoal, quanto no profissional. Numa dessas manhãs que havíamos acordado juntos, encontrei em cima da mesa, uma caixinha com um cartão, na verdade era uma carta, escrita a mão. Tinha um poema de Vinícius de Moraes, justamente o que eu havia lido no dia em que nos conhecemos:

Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar estático da aurora.


Na caixinha, havia uma aliança, a única reação que tive enquanto algumas lágrimas desciam em meu olhar, foi voltar para cama, ficar deitado e esperando acordar para que enfim um sim pudesse ser dito.


Quem tiver interesse no livro, é só clicar aqui, é fantástico,  é um dos meus livros favoritos, ele é da editora Vergara & Riba. Aproveitando e pedindo desculpas pela ausência nos últimos tempos, mas ando numa correria daquelas, trabalho, estudo, enfim, vou me esforçar para estar mais presente aqui com vocês.
Gente, aviso importante agora. Eu estou concorrendo novamente ao prêmio TopBlog 2013 e preciso que vocês votem em mim. Por favor, peçam a seus amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos, não se sintam envergonhados em pedir, rsrsrsrs.
Vai levar apenas 1 minuto, é só clicar no selo do lado direito que você será direcionado a página de votação ou pode clicar aqui. Pode votar por e-mail ou facebook, de preferência votem pelos dois. Só uma observação, caso você tenha mais de uma conta de e-mail não se esqueça de votar por ela também e validar seu voto clicando no link que irá receber por e-mail, verifique se está no spam.
Muito obrigado

7 comentários:

Israel Freitas Silva disse...

Que história romântica e bonita. Sou doido por histórias assim. Não vejo como apelativo ou fantasioso, apenas um fato verídico cheio de ternura e amor. Ter como um tema de romance, a poesia de Vinícius de Moraes é o máximo do máximo, é tudo de bom.

Abraços!

Gera Souza disse...

Menino, que rua movimentada é essa aí em Conquista?

Será a Olivia Flores? hahahahahaha

Beijos

FOXX disse...

não entendi, isso é um trecho de um livro?

jair machado rodrigues disse...

Olá querido Dil quase caí aos prantos lendo isso, que lindo, começou meio assim, meio eu, só e triste, perdido no mundo em que moramo...mas que boa leitura, quase lembro do Caio, que escrevia, aliás foi o primeiro em que li uma história de amor entre homens na forma de um livro como qualquer outro, enfim...o encontro e o desncontro, recheado com uma bela história de amor no meio - Vinícius, meu Vinícius, poetinha do amor. Bela homenagem ao poeta, pois este ano completaria 100 anos se vivo fosse, se bem que a obra é imortal.
Dil, tenho de dizer, gosto das tuas caras nas fotos que postas, acho bem autoral.
ps. Meu carinho meu respeito e meu abraço.

Fred disse...

Óóóóinnnnnnnnnnnnn... côsa linda de se ler/ver... ternura é tudo ness vida mesmo! E quero te ver disputando nossa Gincana, hein? Bjão!

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

pura ternura ... belelérrimo!

Fred disse...

Dil, meu acarajé-delícia!!! Brigadão pelo teu carinho no níver do TPM! Valeu! E da próxima vez tenho certeza que vais ganhar o prêmio... hehehe! Bjão!