terça-feira, 10 de julho de 2012

Um medo!

Um dia me perguntaram qual era meu maior medo. Confesso que a resposta mais óbvia que surgiu foi o medo da morrer, apesar dos meus outros medos. O fator que mais impulsiona esse medo é imaginar não estar presente na vida das pessoas das quais amamos tanto, fora outros fatores. Creio que esse medo ronda uma grande parte das pessoas, menos aqueles que estão acostumados a lidar com ela, como os médicos, apesar de que acredito que no fundo, se sintam um pouco abalados com esse fato, mesmo não demonstrando. Isso ocorre quando é algum paciente, do qual não tem assim laços fortes, claro que eles sentem, pois é uma vida que está se esvaindo, mas quando é alguém próximo, o abalo é o mesmo como todos as demais pessoas. Claro que tem suas exceções, tudo na vida tem as suas e com eles não seriam diferente. Um dos médicos dos quais eu trabalho, perdeu uma filha esse final de semana, nasceu morta. Foram tantos planos, tantas expectativas, sonhos e eles foram ceifados. Eu não tenho filhos, ainda não, mas me ponho no lugar e imagino a dor que deve ser perder um filho. Por não ter visto ela crescer, se desenvolver, pode até ser que seja mais fácil, o buraco no peito que fica não é tão grande, mas que não deixa de estar ali, pode até ser camuflado, mas não irá desaparecer. As emoções, o psicológico do ser humano é algo fascinante, que por mais que sejam estudados, nunca serão completamente compreendidos. Enquanto algumas pessoas sofrem por uma perda assim, existem outras que tiram uma vida sem a menor cerimônia, como se fosse algo normal, natural a ser feito.Usam requintes de crueldade que parecem serem tiradas de um filme de terror. Incendeiam um mendigo enquanto está dormindo, esfaqueiam e esquartejam pessoas próximas, por ciúmes, vingança. O mais assustador é quando fazem isso com uma criança que não tem a menor condição de se proteger. Ou mesmo aquelas mães, que não desejam a criança e a joga numa lata de lixo, coloca dentro de uma caixa de sapatos e deixa ali, debaixo de chuva, como se fosse um nada, como se fosse uma boneca que quebrou e a não a quer mais. Bate uma revolta e a gente sempre fica tentando entender o por quê de algo tão monstruoso, mas é em vão. Nem todos são levados pela consciência do que é certo ou errado, agem pelo impulso, pelo calor do momento e algumas ao menos se arrependem, claro que isso não irá mudar o que aconteceu, mas parece que a culpa diminui um pouco ao contrário daqueles que não se arrependem e ainda dizem que fariam tudo novamente. É algo que é difícil de se entender, eu ao menos não consegui até hoje e acredito que não conseguirei.
Como dizem, as crianças que morrem, viram anjos e vão para o céu, ao menos assim nos deixa um pouco mais de conforto e sabemos que Deus irá lhes acolher de braços abertos. Infelizmente hoje (10/07) recebi uma triste notícia, um tio meu faleceu. Me pegou de surpresa, não só a mim, mas a toda família. A parte mais difícil foram as lembranças que voltaram, a dor, aquele aperto no peito, pois naquele momento, me lembrei do meu avô. Foi um dor tão grande quando me vi ali, sem ele, que posso dizer que foi um pai para mim, do qual tomou o lugar do meu pai, cujo contato não tenho assim tão frequente. Foi muito difícil eu aprender a viver sem a sua presença, mas consegui. Sei que Deus o recebeu de braços abertos e nos deu o conforto preciso para mim e minha família. Nunca esquecemos, as vezes nossas lembranças ficam adormecidas e em determinados momentos, acabam vindo a tona.


É isso

Bjo

Contato: dilsantos@rocketmail.com

12 comentários:

Serginho Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Serginho Tavares disse...

nem sei o que dizer nestas horas meu lindo, na verdade nunca sabemos porque não há o que dizer
que ele descanse em paz, muita luz pra ele que está num lugar melhor que todos nós e força pra você e sua família!
beijos

conte comigo sempre

Cesinha disse...

Menino, força aí! Falando como médico: somos “treinados” para parecermos fortes e firmes diante de situações complexas como a perda de uma vida. O que não quer dizer que depois, no nosso cantinho, não podemos deixar que a emoção extravase... e isso é sempre bom. Seria mais complicado reprimir tudo dentro da gente.

Beijão, meu lindo.

Júlia disse...

Perder alguém não é fácil... É algo extremamente doloroso, e sério, nada preenche o vazio por um bom tempo.
Nada do que dizem muda nossa dor.
A única que nos conforta, eu acho, é saber que Deus está acolhendo seus servos de braços abertos.

Força Dil!

Beijo :*

Fred disse...

Eu sempre digo que isso - de morrer - é uma piada de péssimo gosto. Acho um saco. Mas faz parte do pacote, nzé? Então o lance é não temer a danada... mas aprender a conviver com ela!

Querido... ri baldes e litros com teu desabafo fashion no TPM. Arrasou, como sempre! E falando em "fashion" não posso deixar de mencionar a maravilhosa camiseta que estás usando na fotinho deste post... hahahahahah! Bjsssss!

FOXX disse...

matar uma criança é pior q matar um adulto? eu não acho. acho que matar um adulto capaz de se defender é tão ruim qnto matar uma criança indefesa.

Frederico disse...

atualmente tenho vários medos que tento reprimir.
Bom texto :)

Gusta Fernandes disse...

Acho que o meu medo não é o de morrer, e sim, de chegar naquele momento que dizem passar um mini flasback de toda nossa vida, e não ver nada, perceber no fim que não vivi.

Não consigo me ver perdendo quem amo, e assim como você, perdi pessoas que eu desejava que vivessem 100 anos. O golpe é duro mas, por eles, é preciso seguir em frente.

Meus sentimentos pela perda do seu tio, espero que tudo fique bem.

Ps. desculpe a invasão no blog, sempre via seu blog nas indicações alheias e resolvi passar, dar um oi, e consequentemente dizer, gostei bastante daqui!

Um abraço!

Fred disse...

Escândalo é vc, meu amigo... no melhor sentido, claro... heheheh! Bjão e ótimo findi!

Rute disse...

Oi meu querido, sinto muito pela perda do seu tio e a perda da filha do médico.
Olha esse lance de morte é complicado né?
Olha eu sei que todo mundo nasce, cresce e morre.
MORTE uma palavra que sinceramente não me apetece em nada pois o acontecimento da morte é comum a todos os seres, todos os seres vivos morrem, é verdade, mas vivem e morrem enquanto espécie, não podem ter consciência da mortalidade individual, o pensamento da morte é exclusivo do homem. Isso pode ser terrível para alguns, todavia, temos a nos proteger, algo bastante sutil: não sabemos quando, nem como e nem onde. Isso não ajuda muito, mas nos permite, de certa forma, colocar esse momento em um compartimento da nossa mente e esquecer dela por um bom tempo. E o tempo? Este é outro problema
Beijos meu querido

Lucas disse...

Nossa! Como sua casa é linda! Clara, iluminada! Esse texto seu, de uma beleza... mas, antes de comentar eu preciso ler um pouco mais os seus posts. Posso ser seu seguidor?

Abraços.

Obrigado pela sua visita ao meu blog.

Carlos Roberto disse...

Engraçado, se você me perguntasse qual seria meu maior medo, confesso que eu não saberia te responder... Tenho medo de alguns bichos, fato, mas não é algo como "o maior medo". Não tenho medo de morrer. Aliás tenho vontade de morrer, mas não morro. Suicídio? Olha, já quase cometi, mas não fui adiante, por que? Até hoje me pergunto o por que e também me questiono por que não tenho vontade de fazer novamente. Sei lá, seria algo tranquilo, fácil, se eu pudesse ainda ver a reação daqueles que me cercam seria melhor ainda, pois tenho grandes dúvidas, enfim...

Essas mortes grotescas, brutais, etc nos revoltam, claro, mas se pensarmos bem são encenações que de uma forma ou de outra precisam acontecer... Não podemos viver num mundo onde só nascem pessoas. Se a natureza demora para dar cabo, coube ao homem, o ser que "pensa" - ou deveria - fazer o trabalho sujo. Sei la, tudo se explica, há um equilíbrio.

Por mais que me doa ver você tristinho nas fotos, confesso que você de rosa é um espetáculo!